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:: Em 45 anos de carreira, Cartier-Bresson criou um estilo único e desenvolveu
importantes teorias, como a do “instante decisivo”, além de ser um dos pais do fotojornalismo contemporâneo, ao lado de Robert Capa, com quem fundou a agência Magnum. Como repórter fotográfico, viajou pelo mundo registrando momentos históricos e produzindo imagens que deram novo sentido ao cotidiano das cidades de uma Europa assolada pela guerra. Publicado originalmente
em 1979, este livro traz 155 fotos selecionadas pelo autor para representar
sua extensa produção. Bresson agrupou as imagens em seis módulos que convidam o leitor a estabelecer relações inéditas e pessoais entre elas. O módulo de abertura privilegia as cenas urbanas, enquanto o segundo leva da cidade à vida provinciana; da velhice à infância; da arte à natureza. O terceiro remete a temas de ordem política e social, e no quarto módulo Bresson introduz a
técnica do contraponto, mesclando o sagrado e o profano, a vida e a morte. O mesmo procedimento está presente no módulo seguinte, que intercala retratos célebres a paisagens. No último módulo, imperam o senso de humor e a ironia do fotógrafo.
O IMAGINÁRIO A PARTIR DA NATUREZA
[Texto de Cartier-Bresson]
A câmera fotográfica é para mim um caderno de esboços, o instrumento da intuição e da espontaneidade, o mestre do instante que, em termos visuais, ao mesmo tempo questiona e decide. Para “significar” o mundo é preciso sentir-se implicado naquilo que se recorta através do visor. Essa atitude exige concentração, sensibilidade, um senso de geometria. É por uma economia de meios e, principalmente, um esquecimento de si que se chega à simplicidade de expressão. Fotografar: é prender o fôlego quando todas as nossas faculdades convergem para captar a realidade fugidia; é aí então que a apreensão de uma imagem é uma grande alegria física e intelectual. Fotografar: é num mesmo instante e numa fração de segundo reconhecer um fato e a organização rigorosa das formas percebidas visualmente que exprimem e significam esse fato. É pôr na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração. É um modo de viver. |
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